Patagônia Argentina: o que você precisa saber sobre o Glaciar Perito Moreno, em Calafate

A câmera já quer pular da mochila quando o avião começa a descer para aterrisar em El Calafate, na Patagônia Argentina. Do alto se veem lagos de um azul (ou seria verde?) esmeralda, cravados na terra em diferentes tons de marrom, e a vegetação rasteira tem cores que vão do verde escuro e laranja a um cinza azulado. Mas não comece a disparar as fotos aí. A vista da chegada ao aeroporto é só o começo.

A Patagônia Argentina reúne um sem fim de paisagens incríveis, dos glaciares em Calafate às trilhas em El Chaltén, em um ambiente e clima muitas vezes quase inóspitos, mas é bom lembrar quão ao Sul do continente se está. Não dá para esperar – ainda bem – algo convencional.

Chegando em Calafate, o aeroporto está a cerca de vinte minutos do povoado. Dá para contratar um transfer no guichê da Ves Patagônia por cerca de 300 pesos argentinos, ou uns R$ 30, ou pegar um remís, ou táxi. A cidade é bem pequena, mas com estrutura para receber os turistas, que chegam principalmente no verão (o inverno é pesado, só para os fortes; e o clima impossibilita muitos dos passeios). Há muitos restaurantes, lojinhas de artesanato, roupas de montanha (muitas alugam roupas e botas de frio) e, claro, agências de viagem que oferecem passeios pela região.

O passeio mais óbvio e essencial de Calafate é a visita ao glaciar Perito Moreno, um monstro de gelo de 150km2 maior que Buenos Aires. Contratamos o tour com a agência Mundo Austral, que fica na avenida principal de Calafate, a Libertador San Martin. O passeio incluía Transfer, transporte com paradas no caminho para explicação da paisagem (a guia Ruth foi incrível!) e a navegação pelo Lago Argentino para ver o glaciar de perto. Depois ainda teríamos tempo para caminhar por passarelas construídas perto do glaciar e admirá-lo de diferentes ângulos.

Há uma opção de fazer um trekking em cima do glaciar, e consideramos fazê-lo, mas bobeamos na antecedência e quando fomos contratar já não havia lugar. Há duas versões: minitrekking e Big Ice, de maior distância e duração. Então, se esse passeio for muito importante pra você, reserve pelo menos uma semana antes, ainda mais em alta temporada.

É preciso dizer, também, que já se fica impressionado só com a vista do glaciar. Ninguém vai sair frustrado se não fizer o trekking. O Perito Moreno é imponente de qualquer jeito. Ele fica em uma área protegida, o Parque Nacional Los Glaciares – falaremos muito dele ainda. Aparece distante da janela do ônibus, até que, na navegação, enfim, se exibe com magnitude.

As paredes medem de 40 a 70 metros de altura. A luz do sol reflete em raios que brilham em azul naquele imenso bloco de gelo. De vez em quando alguma parte se desprende e cai, em um estrondo. Todo mundo corre para fotografar, outros ficam olhando boquiabertos. É a natureza ali bruta.

O glaciar perde cerca de dois metros de gelo por dia, mas cresce na mesma medida. Dizem que está em equilíbrio, e isso é essencial para sua proteção e para a manutenção do lago e dos glaciares vizinhos. Pesquisadores estudaram toda essa região há anos, entre eles Francisco Moreno, que dá nome ao glaciar. Houve também brigas por território patagônico com o Chile, que a umas três horas dali tem outra beleza, o Parque Nacional Torres del Paine. Hoje isso parece resolvido, e tem visitante para todo mundo.

Pois bem, fizemos a navegação no Perito Moreno na parte norte. Dura mais ou menos uma hora. Depois, o ônibus subiu a outra parte do parque, onde fica a cafeteria, para chegarmos às passarelas. Tivemos tempo livre para subir, descer e dar volta por diferentes vistas do glaciar. São quatro quilômetros de passarelas, e muito bem organizados. Você pode escolher diferentes circuitos a percorrer, divididos em cores, que marcam diferentes distâncias ou mais subidas/descidas.

Como tínhamos tempo, fizemos o circuito mais longo, até a extremidade da passarela. A sensação é de “entrar” no glaciar. É um complemento interessante à navegação: dá para ter a vista do alto, e ouvir os paredões de gelo que quebram de dentro. Cada parte da passarela rende um sentimento – e um clique – diferentes. É mágico. Dá uma olhada nesse vídeo aqui … e depois volta, que tem mais Patagônia para contar.

Onde ficar:

Rincón del Calafate: o hotel tem quartos aconchegantes, e o café da manhã é farto e uma delícia, importante para dias de muita caminhada pela frente. Outro ponto é que fica mais afastado do burburinho do centro de Calafate, o que pode ser positivo ou negativo dependendo do que você deseja. Nós andávamos de noite de volta para o hotel, mas muita gente aluga carro na região.

Calafate Hostel e Hostería: Super bem localizado, em uma rua paralela à principal no centro. Possui restaurante ao lado e o café da manhã é servido às seis, importante para quem sai cedo para os passeios. Ficamos em um quarto espaçoso e quentinha da hosteria. Ponto importante: o clima é de hostel, então leve em conta a informalidade e a faixa etária normalmente mais jovem, caso isso seja uma questão pra você.

Onde comer:

Elbar’s: Restaurante pequeno, acolhedor, com cardápio voltado a lanches e comidas naturais. Adoramos o salteado wok de arroz com vegetais. Eles também produzem suas próprias essências de chás. Vale experimentar o chá vermelho com especiarias e gengibre.

Casimiro Biguá: Boa pedida quando se quer uma noite mais sofisticada. Localizado na avenida principal do centro, a Libertador, o restaurante fica aberto até tarde e oferece boas massas e carnes (é a Argentina, afinal), além de risotos, que foram a nossa escolha.

La Toldería: também na avenida principal, aposta em boas massas e cervejas artesanais e vinho para atrair os turistas. Entre as opções sem carne, recomendamos a calabaza rellena e a lasanha de vegetais.

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