Terremoto no México? Saiba o que fazer se um tremor abalar sua viagem 

A primeira sensação é um enjoo: tudo começa a se mexer. O lustre balança, e dá pra ouvir o barulho das vigas que, ainda bem, seguram o prédio. Nas ruas, o tremor tem efeito de vento nos sinais de trânsito, enquanto sirenes e o alarme sísmico disparam. Como controlar a força da natureza? Impossível. Ela é linda, mas bruta. Possível é manter a calma e evitar acidentes mais graves. Abaixo, algumas dicas e experiências sobre como agir caso sua viagem seja abalada por um terremoto – como o de magnitude 8.2 que balançou o México na noite de ontem e já deixou mais de 30 mortos. (Nota: número oficial divulgado na sexta. Nesta segunda 11, as vítimas fatais chegam a 96.)

Um terremoto não avisa quando vem. Áreas de alta frequência sísmica, como o México, estão acostumadas aos tremores – o país tem dezenas por dia, a maioria imperceptíveis. O mais grave da História da região foi em 1985, também em setembro: mais de dez mil mortos estimados só na Cidade do México e uma lição de que a indústria da construção ainda tinha muito a avançar para garantir a vida dos moradores diante da força da natureza. De lá pra cá, as estruturas de prédios ganharam reforços, e não se sobe um novo prédio na capital sem vigas profundas. 

Essa infraestrutura infelizmente não se estende a todo o país. Regiões ao Sul, como Chiapas e Oaxaca, que concentram as vítimas do terremoto de ontem, não só costumam ser epicentro desses desastres naturais como amargam também os mais altos índices de pobreza no México. 

Morei dois anos e meio no país, e terremoto não é algo a que um estrangeiro desavisado se adapte facilmente. Crianças mexicanas têm aulas de como agir em terremotos desde a pré-escola. Mas a verdade é que todos – locais ou não – precisamos aprender a conviver com eles.

No primeiro tremor que peguei, fui alertada pelo rádio, que eu usava de despertador e parou de tocar música de manhãzinha para disparar o alarme sísmico. Quando ele toca, anuncia o início do atrito das placas tectônicas, ainda nas camadas mais fundas, mas daí à superfície o tempo é curto: geralmente menos de um minuto.

Ao ouvir o alerta corri para a porta, mas na falta de experiência e sobra de ingenuidade resolvi voltar para o quarto e trocar o pijama – foi o tempo de ver o lustre balançar e me sentir algo mareada no piso da sala. Pra minha sorte, foi um terremoto leve. Mas não me livrei da bronca do porteiro e de todos os vizinhos que já estavam na rua, alheios a pijamas ou cabelos desgrenhados. Terremoto para os mexicanos é coisa séria. 

Sem mais delongas: se ouvir o alarme sísmico no rádio, em prédios públicos ou na rua, largue o que estiver fazendo e vá para uma zona segura. Evite elevadores, claro. Proteja a cabeça com as mãos e evite passar perto de janelas, varandas e lugares com objetos que podem cair ou quebrar. Se estiver na rua, afaste-se de edifícios, paredes, árvores ou postes. 

No México há várias indicações de “punto de reunión”, que nada mais são do que áreas seguras, abertas, longe de janelas ou fiações, onde as pessoas podem se aglomerar. Se estiver em casa ou em prédio alto sem tempo de descer, o Serviço de Proteção Civil recomenda esperar junto a estruturas de maior reforço, como colunas ou traves. Não adianta se desesperar: terremotos duram segundos. 

Mas continue atento porque, depois de terremotos potentes como o de ontem, normalmente vêm réplicas, que podem ser de igual intensidade. Até aqui nesse post, foram mais de 300 réplicas ao tremor mexicano, segundo o Serviço Sismológico Nacional. A mais forte delas de magnitude 6.1. 

Também é verdade que os mexicanos, assim como os brasileiros, fazem graça até do que teoricamente não tem graça. Então não demoraram a surgir vários memes desafiando a tragédia em nome de uma piada… 

Gracinhas à parte, informe-se, leia, troque experiências. Na dúvida, siga o que os mexicanos fizerem: eles possivelmente estão mais acostumados aos tremores do que você. E não deixe um terremoto abalar sua viagem por um país tão lindo…

Viralizou: Símbolo da Cidade do México, monumento do Anjo da Independência viu sinal de trânsito balançar durante terremoto. Para ver, clique aqui

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