Terra (e dois oceanos) à vista! Tudo sobre o Canal do Panamá


O navio desponta lá no horizonte e uma multidão ansiosa estica o pescoço, levanta os braços com celulares e máquinas fotográficas. Um homem narra ao microfone a origem da embarcação, o peso, as medidas. E pede aplausos do público quanto mais ela se aproxima. É um espetáculo? De certa forma, sim. A passagem de navios no Canal do Panamá é seguida com o entusiasmo de um show ou uma partida esportiva. São 80 quilômetros que ligam os Oceanos Pacífico e Atlântico há pouco mais de cem anos, numa das maiores obras já feitas pelo homem no meio de uma natureza que um dia foi selvagem. 

O Canal do Panamá foi finalizado em 1913 pelos EUA e aberto em 1914 para encurtar o trajeto de embarcações oceanos afora. Hoje recebe entre 35 e 40 navios por dia, um mar de movimento que alavanca a economia panamenha (falaremos do pedágio já ja). 

É também sucesso turístico: mais de três mil locais e estrangeiros visitam por dia os mirantes e museus que mostram e contam a história do engenhoso Canal. 


Por que vale a visita? Porque a estrutura realmente impressiona – e intriga. Como o homem conseguiu arquitetar navios gigantescos, abrir caminhos na terra, nivelar águas, unir dois oceanos, e tudo com engenharia e cálculos tão precisos?

Era um projeto ambicioso desde o início. O primeiro a sugerir a ideia de um canal de ligação entre Pacifico e Atlântico foi o rei Carlos I da Espanha, em carta aos conquistadores espanhóis, em 1534. 

Com a independência da Espanha em 1821 e a união à chamada “Grande Colômbia” (que somava Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela), o Panamá viu, em 1887, os franceses se lançarem no projeto – tão difícil que eles desistiram no início do século XX.

Depois que o Panamá se desvinculou da Grande Colômbia, em 1903, os americanos assumiram a missão de concluir o Canal. E ele ficou pronto, dez anos depois – com a bandeira americana hasteada, e tropas dos EUA ocupando as imediações, o que começou a desagradar aos panamenhos. 

Em 1964, estudantes lideraram um forte protesto e hastearam a bandeira do Panamá no Canal. Foram reprimidos, houve confusão, e o fato pressionou, bem depois, em 1977, o então presidente americano Carter e o panamenho, Omar Torrijos, a assinarem um acordo: em 31 de dezembro de 1999 o Canal deixaria de ser domínio americano e passaria a ser, exclusivamente, de administração panamenha.

Hoje é a bandeira do Panamá que tremula no Canal e nos barcos que passam por lá. Aliás, e como passam! O sistema de comportas e eclusas é impressionante.

São elas que ajudam a equilibrar o nível das águas de um lado e outro. Não, os oceanos não estão em níveis diferentes. É que durante a construção do Canal e a abertura no imenso espaço de terra que havia ali houve a necessidade de se colocar um lago artificial de ligação, uma represa. 

É o lago Gatún, 26 metros acima do nível do mar. Os navios passam de uma câmera a outra de comportas quando se equilibra o nível de água. São comportas e eclusas imensas e pesadas, num sistema perfeito de engrenagem de quando nem se sonhava ter tanta tecnologia. 


Hoje o Canal pode receber navios de até 32 metros de largura, 294 de comprimento e 12 de profundidade. E cobra bem por isso: US$ 400 mil em média por embarcação. As maiores chegam a pagar Us$ 500 mil. Mas consideram que vale a pena não ter que dar toda a volta para chegar ao Pacifico, ou ao Atlântico, dependendo da rota. 

Curiosamente, o pedágio mais barato na história local foi pago pelo aventureiro americano Richard Halliburton, que cruzou o Canal a nado em 1928. Desembolsou… 36 centavos. 

Serviço

O Canal possui dois mirantes principais para ver a passagem dos navios: Miraflores e Água Clara. Preferimos ir ao Miraflores por ser próximo da Cidade do Panamá e seu centro histórico. Além do mirante com vista panorâmica, tem uma pequena sala de exibição com filme sobre o Canal e um museu incrível de três andares com toda a história da construção. A entrada custa US$ 15. Menores de 12 anos pagam US$ 10. Já o mirante de Água Clara fica no lado do Atlântico, perto da cidade de Colón.  Lembre-se de ficar atento aos horários de passagem dos navios! O Canal funciona 24 horas, mas as embarcações passam em horários específicos:  normalmente até 11h e depois de 14h. E ver esse complexo “desfile” certamente é a parte mais legal da visita. 

Clique aqui para navegar pelo Canal do Panamá!

Palavra do dia: Balboa. É a moeda oficial do Panamá, embora o dólar seja a moeda dominante. As moedas de balboa circulam equiparadas às de dólar. O nome é homenagem ao navegador espanhol Vasco Núñez de Balboa, o primeiro europeu a avistar o Pacífico. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s