A aventura continua: surfe em vulcão na Nicarágua mistura riscos e adrenalina

De longe, parece uma montanha de terra escura com umas linhas retas de cima até embaixo. Pois o monte é vulcão, o Cerro Negro, e as linhas não são sulcos naturais da terra: são as marcas de que alguém passou “surfando” por ali. Surfe de vulcão.

A aventura é um dos maiores atrativos para quem visita León, no Noroeste da Nicarágua. Várias empresas oferecem o chamado “Volcano Boarding” no Cerro Negro. O vulcão fica a uns 20km do centro de León e é o mais jovem do continente americano, depois do Paricutín, no México – surgiu em abril de 1850. 

É também um dos mais baixos da Nicarágua: mede 730 metros, bem menos do que os 1258 metros do Momotombo ou 1745 metros do San Cristóbal, outras potências brutas da natureza local. Mas é o mais ativo do país. Soma já mais de 20 erupções – em 1968, houve uma que durou quase sete semanas. 

Surfá-lo, numa versão radical do nosso skibunda, mistura uma série de sensações. Tem a comunhão com a natureza e a contemplação da vista do alto, mas também esforço, adrenalina e riscos, já que se pode chegar a uma velocidade de 70km/h sem estar de capacete nem joelheira. Nessa descida muita gente cai da prancha, vira e dá cambalhota, se esfola um pouco, ou bastante, torce pé, quebra braço – aconteceu isso com uma menina do nosso hostel. 

Afinal, na hora “h”, estamos soltos: na descida são apenas o pretenso surfista, uma prancha e o vulcão. Entendido isso, segue o jogo – e lá vamos nós Cerro Negro abaixo.


Antes, claro, é preciso subir o vulcão. Como falamos no início do post, ele não é muito alto, mas não quer dizer que a subida seja moleza. A trilha é pura pedra, um vento danado e um adendo: cada um carrega sua prancha, um pesinho extra de entre cinco e dez quilos vulcão acima, durante quase uma hora. 

Finalmente lá em cima, se descansa um pouco, e caminhamos pelas margens das crateras do Cerro Negro, ultimamente tranquilo. Mas cavando um pouco na terra se sente a quentura. Tem vida lá dentro. 

E chega a hora da descida. Vestimos macacões, luvas e óculos fornecidos pela empresa que nos levou. É bom ainda carregar por conta própria um lenço para cobrir nariz e boca, que quase nunca as operadoras fornecem. Todos prontos, recebemos instruções rápidas do guia sobre como descer e formamos uma fila para a descida. O segundo só desce quando o primeiro já chegou lá embaixo, pra evitar que mais apressadinhos se trombem. 



A subida de uma hora vira um minuto de descida.
Mas que minuto! Pouco se vê porque muita terra e pedras entram pelos pés, óculos e macacão. Quanto mais se inclina o corpo mais rápida vai a prancha, e em muitos momentos a sensação é de que não temos o menor controle da descida. Acaso, sorte e talvez um pouco de destreza nos fez chegar inteiros e sem arranhões. Só imundos de terra mesmo. Mas, olhando no todo, sai uma galera algo machucada.

Se valeu a pena a aventura? Com certeza! Sensação única numa paisagem incrível. Mas é importante cada um avaliar a disposição para encarar os riscos também. De qualquer jeito o Cerro Negro continuará lá, imponente em sua grande montanha de terra.

Fizemos o passeio com a NicaTime, a US$ 21 por pessoa, mais US$ 5 cada um de entrada na reserva do vulcão. As pranchas estavam em ótimo estado, as roupas também ok, mas sentimos falta de mochilas (que eles fornecem com roupa, luvas e óculos dentro) mais robustas que aguentassem para colocar a prancha entre a mochila e as costas. Vimos outras empresas que emprestavam mochilas mais resistentes para isso, e teria feito bastante diferença para aliviar o peso na subida. De todo modo, é comum no grupo haver guias extras que se oferecem para carregar pranchas alheias, a US$ 4 por pessoa. A gosto, claro, do freguês surfista. 

Clique aqui para subir – e descer – o vulcão Cerro Negro surfando

Palavra do dia: Nica. É a maneira informal de se referir aos nicaraguenses e a tudo que diz respeito a eles: café da manhã estilo nica (com ovo, banana e tortilla ou pão), o nica time (hora marcada quase nunca bate com a do relógio), ou simplesmente define o orgulho de ser da Nicarágua. Não à toa, a frase mais lida em camisas à venda em lojas para turistas é… Soy nica. 

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