História, calor e lagoa na cratera do vulcão: a Granada da Nicarágua

O nome é uma herança da Granada da Espanha, cidade da rainha Isabel La Católica. Nesta parte da Nicarágua, os espanhóis tentaram montar uma cidade exemplo para toda a colônia – e colocaram, claro, os indígenas que habitavam o povoado vizinho de Xalteva para serem a mão de obra que a levantariam.

A cidade foi fundada por Francisco Hernández de Córdoba em 8 de dezembro de 1524, e se diz a primeira construída em continente americano pelos espanhóis. Fato é que possui muitos casarões antigos, em estilo colonial, com jardins internos e, claro, muitas igrejas.
Mas o que torna essa bela cidade ainda mais interessante é como foi alvo de cobiça não só dos conquistadores como posteriormente de piratas e saqueadores, que a incendiaram completamente em três ocasiões. Granada, então principal pólo econômico do país, disputava o protagonismo nicaraguense com sua  irmã não tão rica, mas mais politicamente ativa, León. Tornou-se ainda mais visada quando se descobriu que seu rio era navegável, com saída para o mar. Foi a chamada para a pirataria atacar com tudo.

Misture a isso o fato de que a conservadora Granada se envolveu em uma guerra contra a liberal León, um conflito de tons políticos que provocou mais uma penca de invasões e só terminou quando Manágua, e não Granada ou León, foi estabelecida como capital nicaraguense.

Hoje, Granada, a uns 45 quilômetros de Manágua, é preferida por muitos turistas como base para visitar os vulcões Masaya e Mombacho, e também a reserva natural Laguna de Apoyo, uma área de 43km2 com uma lagoa formada na cratera de um vulcão extinto, segundo cientistas, há uns 23 mil anos. Imperdível.

Fica a apenas 30 minutos de Granada. A água é clarinha e fresca, sem contar a viagem de nadar em uma lagoa sabendo que abaixo está a cratera de um vulcão adormecido. Não por nada, é uma lagoa bem funda: três passos na margem e já não dá pé. Sua profundidade chega a 250 metros no meio desse piscinão.

Vários hotéis oferecem cadeiras, caiaques e plataformas flutuantes na “prainha” formada ao longo da lagoa. Fechamos com a Buena Tour e o Hostel Paradiso o transporte de ida e uso das instalações comuns do hostel a US$ 11 por pessoa. Se tivéssemos fechado também a volta, seriam US$ 14. É possível também ir de ônibus público até a entrada da reserva, mas lá dentro não circulam ônibus. Seriam uns três quilômetros de caminhada até o Paradiso, ou táxi a uns US$ 5. 

Resolvemos voltar por nossa conta porque pelo tour o retorno à Granada só seria às 16h30, e queríamos visitar mais alguns pontos da cidade antes de fecharem. Combinamos com o pessoal do Paradiso um táxi de volta direto às 14h, a US$ 6. Foi ótimo porque deu tanto para aproveitar a lagoa como para curtir um restinho de Granada. 

Clique aqui para conhecer a Lagoa de Apoyo, formada há 23 mil anos na cratera de um vulcão extinto

A cidade é mesmo uma graça, com sua arquitetura, tranquilidade e segurança. Um contraponto? O calooooor que faz, e isso porque é quase inverno aqui, mas nada que moradores do Rio, suando é claro, não tirem de letra. 

A cidade gira em torno do parque central, uma praça com prédios públicos, coreto, barracas de artesanato e charretes (infelizmente). É um espaço realmente aproveitado pelos nicaraguenses, seja comendo nos quiosques ou hipnotizados com o Wi-Fi público e grátis por ali. Ô praga mundial.

Mais adiante está La Calzada, uma rua para pedestres cheia de restaurantes, bares, lojas de roupas e agências de turismo. Imperdíveis o suco natural de maracujá e a pizza vegetariana do restaurante Pan de Vida. E também as pupusas em versão “nica” na rua em frente à catedral, no parque central. Na Calzada está também o Museu do chocolate, uma paixão internacional. Há muitas explicações sobre o cacau e oficinas do tipo “fabrique seu próprio chocolate” (a US$ 21), mas achamos meio caricato, pra turista ver – assim como o preço dos chocolates ali. 

Seguindo da Calzada ao parque central, a catedral, vibrante em amarelo, se destaca. E também o museu San Francisco, ao lado do convento e igreja de mesmo nome, que traz um resumo bem bacana da história de Granada, sua cultura popular, mostras de arte pré-colombina e artigos religiosos. Entrada a US$ 1. 

No fim da tarde, imperdível ver o pôr do sol do alto da torre da Igreja de la Merced. É Granada em 360 graus, com a vista do Lago da Nicarágua e o gigante Mombacho ao fundo, dos casarões e seus jardins internos, da catedral, da igreja de São Francisco, dos limites de uma cidade grande que ainda parece pequena. 

Foi deste alto, com o sol dormindo atrás da igreja de la Merced, que nos despedimos de Granada. Durante nosaa estadia na cidade ficamos no Hotel Glifoos, do catalão David e da doce nicaraguense Angelica. Próxima parada: ilha de Ometepe!

Confira aqui Granada vista do alto

Palavra do dia: pulpería. Não é a casa de um pulpo (polvo), mas tem muitos “braços” de venda. Pulpería é uma mercearia que vende de tudo um pouco. Granada está cheia delas.

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