El Salvador, vulcão 2: na cratera do gigante Santa Ana (Ilamatepec)

Ilamatepec, na língua indígena nahuatl, significa “morro mãe” ou “morro ancião”. Mas esse gigante de 2300 metros (o vulcão mais alto de El Salvador) é mais conhecido como Santa Ana, nome da região onde se encontra. Fica dentro de uma área de parque, o parque nacional dos vulcões, ao lado de outros gigantes como os vulcões Izalco e Cerro Verde.

Escolhemos subir o Santa Ana pelas fotos que vimos antes de um imenso lago verde turquesa no meio da cratera. Mas nenhuma foto se compara a ver isso, ao vivo, a cores e com direito a cheiro de enxofre e sentir a natureza viva e borbulhante  à frente. Ponto alto, literalmente, da viagem El Salvador adentro. 

Pegamos o ônibus 248 às 7h40 no terminal La Vencedora de Santa Ana. A passagem custa US$ 0,90, mas o mais pesado é a viagem, que dura umas duas horas num transporte pinga-pinga por várias pequenas comunidades em volta de Santa Ana. 

A trilha sai do parque nacional, o Cerro Verde, às 11h. Chegamos de ônibus pouco antes de 10h, a tempo de comer pupusas numa cafeteria rústica e juntar umas dez pessoas para a subida. Lá em cima do vulcão, obviamente, não haveria comida. E levamos mais um lanchinho na mochila. 

A entrada ao parque custa US$ 3, mais 1 para o guia na trilha e outros 6 de imposto cobrado pelo Ministério do Meio Ambiente. Um policial de turismo também escolta o grupo, num hábito aparentemente comum na região, embora não sentíssemos nenhum perigo em especial.

Há, sim, regras a serem seguidas. Tanto o guia quanto o policial impõem um ritmo forte de caminhada. Tudo para que o grupo chegue em hora e meia até o topo da cratera, já que no máximo 13h se deve descer tudo de novo. Eles afirmam que, depois desse horário, é perigoso ficar lá em cima por conta da forte neblina que esconde o caminho e também pelos ventos que se intensificam.

A trilha em si não é pesada. Nem o sol, já que em boa parte do caminho há árvores. A maior dificuldade é a velocidade da subida. No terço final, quando o caminho é basicamente de pedras, as pernas tremem e parecem que não vão suportar mais tanta inclinação no ritmo puxado pelo guia e o policial. 

O segredo? Pensar na vista do topo, na beleza da cratera, no lago inédito para nós. Quando finalmente chegamos, 12h40, a verdade é que a dor estancou e os olhos se encheram de água. Primeiro veio o cheiro de enxofre, e o frio de estar tão alto. Depois, à esquerda, surgiu a tão esperada lagoa verde turquesa, cheia de ácido sulfúrico e água borbulhante. Tudo numa cratera de quatro quilômetros, aparentemente serena, há 12 anos sem erupções. Silêncio para o deslumbre. 

Nos sentamos ali mesmo para um lanchinho, cansados, paisagem à frente. Com o grupo já no topo a tempo, Gérson, nosso guia, e o oficial Martinez, policial da escolta, sorriam, conversavam, se ofereciam para tirar fotos. Entramos todos numa onda coletiva de felicidade, respirando ares de vulcão. 

A descida, 13h em ponto, virou um detalhe. O corpo respondia no automático, enquanto a cabeça ainda assimilava o que os olhos viram. Nem mais novos 50 minutos de subida na reta final da volta nublaram o efeito do topo. E a cafeteria ainda estava lá na base do parque, acenando com um prato de arroz, feijão, ovo, abacate e tortilla para repor as energias (US$ 3,25 para dois). 

Depois a neblina baixou, escondendo de novo o Santa Ana. Frio. Descanso para o gigante. Amanhã seria outro dia. 

Clique aqui para ver o que vimos ao chegar na cratera do vulcão

Palavra de hoje: casamiento. É como os salvadorenhos chamam a combinação de arroz com feijão. Tem sido comida de todo dia, numa viagem de tantos “casamientos”: natureza e comunhão, paisagem e sonhos, amor e gratidão. O caminho continua.

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